Um colega da faculdade me perguntou o que eu escrevia. Afinal, que caráter literário respaudam meus textos? não pensei muito e respondi, com um pouco de insegurança, que se tratavam de crônicas. quando cheguei em casa, apressei-me a pegar um de meus livros de literatura do ensino médio, e procurei a definição de crônicas, encontrei algo que definia muito aproximadamente as coisas que eu escrevera! Na minha versão, as crônicas são textos curtos, gostosos de ler e com poucos personagens. Que apresentam minha visão subjetiva de mundo, sendo ora severa e ora leve, como o bater de asas de uma borboleta. Acabo por falar verdades num tom de brincadeira, entregando um pouco do que sinto, misturando meus personagens comigo mesma e ora apenas inventando... flutuando, imaginando, escrevendo o que me vem a cabeça. Fiquei feliz de ser cronista, ou está me tornando uma, eu não gosto de me declarar poeta, até porque hoje em dia, como disse este meu colega "Qualquer um que rima pé com jacaré, se diz poeta". Mas cronista é diferente, não tem cronista em toda esquina. E por falar em esquina, me lembrei de como os limites são engraçados. Quantas vezes um passo poderia mudar toda nossa vida, pra melhor certamente, no entanto, preferimos nos apegar aos ilusórios limites e fronteiras. Paramos por medo ou por cautela, não sei. Hoje eu desejei por um instante que aquela esquina estivesse mais próxima de mim, que seus limites coincidirem com as minhas premissas. Mas foi só por um momento mesmo, foi só um pensamento que me passou pela mente. Que passou!
Vi tanta coisa essa semana. Parei pra descrever um pouco do que via, mas nada suficientemente profundo pra se escrever em algum lugar. Lembro-me apenas dos detalhes que meus olhos filtraram, da menina que delicadamente, com suas unhas pintadas de renda e florzinhas vermelhas, enrolava a fita de de seu corretivo que soltara há um instante. Pensei como ela era paciente, se fosse eu... bem, se fosse eu, talvez o deixasse pra lá. Mas ela tão perseverante o concertou e se pôs a usá-lo várias e várias vezes.
Laryssa Galdino
